Denshattack mistura trens, manobras absurdas, Japão retrofuturista, estética única com o amarelo em destaque e uma deliciosa nostalgia dos arcades. Joguei por quase uma hora sem perceber o tempo passar – e esse talvez nem seja o melhor elogio que posso fazer a ele.
Imagine o Japão.
Agora imagine viajar pelo Japão de trem.
Até aí, tudo normal.
Agora esqueça a parte normal e imagine fazer drift com esse trem, saltar pelos trilhos e executar manobras no ar enquanto tenta não transformar transporte público em sucata.
Bem-vindo a Denshattack.
Quando comecei a jogar, minha intenção era experimentar algumas fases, entender as mecânicas e ter uma primeira impressão do game.
Quase uma hora depois, eu ainda estava jogando. E aí percebi que Denshattack tinha ativado aquela velha maldição gamer:
“Só mais uma fase.”
Um arcade que parece ter viajado no tempo
Denshattack tem algo que sinto falta em muitos jogos atuais: ele não demora uma eternidade tentando explicar por que você deveria estar se divertindo.
Você pega o controle e joga.
E pronto.
Existe uma sensação nostálgica muito forte aqui. Ele me lembrou aqueles jogos arcade em que a premissa podia ser completamente absurda, mas ninguém estava preocupado em justificar demais.
A pergunta não era:
“Isso faz sentido?”
Era:
“Isso é divertido?”
E fazer drift com um trem é, aparentemente, muito divertido.
Existe velocidade, pontuação, saltos, manobras, obstáculos e aquela vontade quase automática de repetir um trecho porque você sabe que consegue fazer melhor.
Errou?
Vai novamente.
Acertou?
Agora tenta acertar mais bonito.
Pronto. Você entrou no loop.
Controle ou teclado e mouse?
Testei das duas formas.
Controle e teclado + mouse funcionaram muito bem.
Não senti que precisava reaprender o jogo quando troquei de um para o outro. Os comandos são simples de entender e rapidamente você começa a fazer manobras.
Mas simples de controlar não significa necessariamente fácil de dominar.
Porque depois que você entende os comandos, entra o verdadeiro chefe final de Denshattack:
sua própria coordenação. Claro se eu puder deixar uma dica, use controle do PS, testei com do xbox e do PS ou um paralelo é mais fácil.
O jogo pode explicar perfeitamente o que precisa ser feito. Outra coisa completamente diferente é seu cérebro conseguir avisar seus dedos a tempo.
E isso deixa tudo ainda mais divertido.
Você começa errando uma sequência, tenta novamente, melhora o tempo, encaixa outra manobra e daqui a pouco está tentando transformar uma simples passagem pela fase em uma apresentação ferroviária digna de campeonato.

Um Japão que hipnotiza
Se o gameplay me segurou, a direção artística terminou o serviço.
Denshattack apresenta um Japão retrofuturista extremamente estilizado, com uma pegada cyberpunk japonesa, cores fortes e visual que lembra uma animação em movimento.
Há toda uma história envolvendo cidades-domo, uma megacorporação chamada Miraido e uma sociedade em que os trens se tornaram fundamentais para conectar diferentes regiões.
Mas o jogo não abandona sua personalidade para contar essa história.
Os diálogos aparecem com uma apresentação que lembra visual novel, temos falas em japonês e personagens que combinam perfeitamente com aquele universo.
E preciso destacar Emi Araki, a protagonista.
Ela é divertida, carismática e ajuda muito a vender toda essa maluquice.
Em pouco tempo eu já estava interessado em descobrir quem apareceria depois e qual seria a próxima situação absurda.
É aquele tipo de direção artística que faz você parar por alguns segundos simplesmente para olhar a tela.
E tem muito mais acontecendo nos trilhos
A simplicidade inicial também engana.
Conforme avançamos, começam a aparecer novas possibilidades, desafios e maneiras diferentes de atravessar as fases.
Uma das mecânicas mais interessantes é o Yaoyorozudo, que permite liberar rotas e mecanismos alternativos durante os percursos.
Isso significa que completar uma fase não necessariamente significa ter visto tudo.
Você pode voltar, tentar outro caminho, melhorar sua pontuação ou simplesmente descobrir uma maneira completamente diferente de passar por determinada área.
Também existem corridas contra adversários, desafios focados em pontuação e manobras, áreas mais abertas com objetivos diferentes e batalhas contra chefes.
Ou seja: aquela brincadeira de “trem fazendo drift” possui bem mais profundidade do que parece inicialmente.
O perigo do “só mais uma”
E chegamos ao ponto que mais definiu minha experiência.
Denshattack dá vontade de continuar.
Eu fiquei quase uma hora jogando sem parar porque existe uma progressão muito gostosa entre aprender, errar e finalmente acertar uma sequência.
É o tipo de jogo que desperta aquela vontade de chegar ao final em uma tacada só.
Não porque existe uma história cinematográfica de 200 milhões de dólares tentando desesperadamente prender você.
Mas porque jogar é divertido.
Parece óbvio escrever isso sobre um videogame.
Em 2026, talvez não seja tanto.
Denshattack resgata justamente aquela sensação dos arcades: pegar um jogo estranho, aprender seus comandos e perceber que você está sorrindo enquanto tenta superar a próxima fase.
Visual e música completam o pacote
A apresentação também merece destaque.
O estilo cell-shading combina perfeitamente com essa mistura de anime, arcade e cyberpunk. Os cenários são extremamente coloridos e existe personalidade praticamente em todos os elementos da tela.
A trilha sonora acompanha muito bem a velocidade das fases e ajuda a criar aquela sensação de estar jogando algo que veio de outra época, mas passou por um belo upgrade antes de chegar ao presente.
Não é nostalgia usada apenas como decoração.
Denshattack entende por que aqueles jogos eram divertidos e tenta transportar essa filosofia para uma experiência moderna.
E funciona.
Nem todo trilho é perfeito
Claro que existem alguns descarrilamentos pelo caminho.
Em certos momentos, alguns obstáculos poderiam ter uma leitura visual melhor, especialmente considerando que estamos falando de um jogo que exige decisões rápidas.
Também existem situações em que colisões podem produzir resultados um pouco estranhos.
E, para um jogo em que literalmente pilotamos e fazemos manobras com trens, eu gostaria de ver opções de personalização mais profundas.
Nada disso, porém, destruiu minha experiência.
São problemas pequenos diante da quantidade de personalidade que existe aqui.
Vale a pena jogar Denshattack?
Sim. Principalmente se você sente saudade daquela diversão mais direta dos arcades.
Denshattack não precisa reinventar a roda.
Até porque ele está ocupado demais reinventando o trem.
É rápido, estranho, estiloso, fácil de começar e suficientemente desafiador para fazer você querer melhorar.
A mistura de Japão, diálogos em japonês, personagens carismáticos, estética cyberpunk, trilha sonora e gameplay arcade cria uma identidade própria que me conquistou.
Comecei querendo testar.
Quase uma hora depois ainda estava tentando fazer uma manobra melhor.
Quando um jogo consegue fazer o relógio desaparecer desse jeito, alguma coisa ele acertou.
Denshattack me lembrou por que alguns jogos arcade conseguiam nos prender durante horas com ideias relativamente simples: eles eram divertidos de jogar.
Aqui temos uma ideia completamente maluca executada com personalidade.
Você pega um trem.
Faz drift.
Salta.
Executa manobras.
Passeia por um Japão retrofuturista enquanto personagens estilosos conversam em japonês.
E quando percebe, já deveria ter parado de jogar faz uns 40 minutos.
Pontos positivos: gameplay extremamente divertido, controles simples no controle e teclado + mouse, visual cyberpunk japonês hipnotizante, personagens carismáticos, ótima sensação arcade e bastante incentivo para melhorar suas fases.
Pontos negativos: alguns obstáculos poderiam ser mais legíveis, certas colisões podem parecer estranhas e a personalização dos trens poderia ser mais completa.
No fim, Denshattack é daqueles jogos que vale experimentar simplesmente pela diversão.
Talvez fazer drift com um trem não faça absolutamente nenhum sentido.
Mas sabe o que faz menos sentido ainda?
Nunca terem pensado nisso antes.
Nota Decora Games: 8/10
Para jogar link da steam https://store.steampowered.com/app/2524850/Denshattack/





