Mulheres no e-Sports e Lótus HUB ampliam parceria para conectar mulheres e oportunidades nos games

Logo da Lótus HUB, composto por um controle de console com cores e formas que assemelham-se à uma flor de lótus.

Comunidades lideradas por Sofia Bedeschi e Amanda Abreu passam a compartilhar iniciativas, eventos e oportunidades sem abrir mão de suas identidades

Duas comunidades voltadas à participação feminina nos games e nos esportes eletrônicos estão estreitando seus laços. O Mulheres no e-Sports (MNE) e a Lótus HUB, ambos criados em 2024, vêm ampliando uma parceria que envolve eventos, networking, conteúdo e, principalmente, a circulação de oportunidades profissionais entre suas comunidades.

Embora mantenham equipes, estruturas e propostas próprias, os projetos passaram a atuar de forma conjunta sempre que identificam iniciativas capazes de alcançar públicos maiores por meio da colaboração. A ideia é simples: em vez de concentrar oportunidades em uma única comunidade, fazer com que elas circulem entre diferentes redes de mulheres que já atuam ou desejam ingressar no mercado.

A aproximação ganhou força a partir da relação entre suas fundadoras, Sofia Bedeschi e Amanda Abreu. As duas passaram a compartilhar espaços de discussão sobre a presença feminina nos e-sports e encontraram pontos de convergência entre os trabalhos desenvolvidos por suas comunidades.

Eu nunca enxerguei outras comunidades de mulheres como concorrentes. Ainda temos muito trabalho pela frente para ampliar nossa participação nesse mercado, então faz muito mais sentido construir pontes”, explica Sofia Bedeschi, fundadora e presidente do Mulheres no e-Sports.

De comunidades a redes profissionais

Criado pela jornalista Sofia Bedeschi, o Mulheres no e-Sports começou como um espaço para aproximar mulheres interessadas em games e esportes eletrônicos. O projeto cresceu e passou a reunir também discussões sobre carreira, estudos, produção de conteúdo, networking e oportunidades profissionais.

Atualmente, o MNE reúne mais de 2 mil mulheres e busca conectar profissionais que já estão na indústria a pessoas que ainda procuram caminhos para ingressar nela.

Essa diversidade aparece também no perfil das integrantes. Jogadoras, criadoras de conteúdo, jornalistas e profissionais de comunicação dividem espaço com pessoas que trabalham ou estudam tecnologia, produção, negócios e outras áreas relacionadas aos games.

A Lótus HUB segue uma trajetória semelhante, mas diretamente ligada à experiência de Amanda Abreu nos e-sports. Com 13 anos de atuação no setor, Amanda passou pelo cenário competitivo de Counter-Strike como jogadora e participou da organização de ações voltadas ao cenário feminino.

Sua trajetória também ganhou reconhecimento dentro do próprio jogo. Em 2020, a Bullet Queen, skin da Glock-18 criada pelo estúdio brasileiro 2Minds, foi desenvolvida como uma homenagem à sua carreira. Em 2025, Amanda recebeu o prêmio de Personalidade do Ano no Prêmio Esports Brasil.

Hoje, a Lótus HUB atua em frentes como comunidade, empregabilidade, eventos, casting, conteúdo, projetos comerciais e segurança no ambiente gamer.

Quando compartilhar uma oportunidade faz diferença

Um dos pontos centrais da parceria está na divulgação de oportunidades.

Uma vaga, evento ou projeto pode alcançar públicos diferentes dependendo de onde é divulgado. Ao compartilhar essas possibilidades, MNE e Lótus ampliam os caminhos pelos quais profissionais podem encontrar novas experiências, enquanto empresas também conseguem chegar a outros talentos.

A colaboração não significa, porém, uma fusão entre os projetos. Cada organização continua responsável por suas próprias iniciativas e decisões, enquanto a parceria funciona como uma ponte entre públicos que possuem interesses em comum.

Eu e a Amanda costumamos dizer que o Mulheres no e-Sports e a Lótus são projetos-irmãos porque há uma troca muito genuína entre nós. Quando surge uma oportunidade que pode fazer sentido para as nossas mulheres, queremos que ela circule e chegue até elas”, afirma Sofia.

Eventos e encontros já aproximaram as comunidades

A parceria já esteve presente em ações realizadas pelas duas organizações. MNE e Lótus HUB participaram juntas da Conexão das Minas, encontro voltado à troca de experiências e ao networking entre mulheres e pessoas não binárias do mercado de games.

As fundadoras também dividiram espaços de discussão sobre a presença feminina nos esportes eletrônicos, incluindo participações em eventos como o Rio Innovation Week.

Mais do que promover encontros, a proposta é aproximar profissionais em diferentes momentos de suas trajetórias. Falar sobre mulheres nos games também significa olhar para além das jogadoras e do cenário competitivo.

Produção de campeonatos, desenvolvimento de tecnologia, comunicação, criação de conteúdo, estratégia, negócios e liderança de projetos são algumas das áreas que compõem esse ecossistema.

Mais espaço para mulheres, mais força para a indústria

A presença feminina nos games não se resume à representatividade. Ela envolve acesso, permanência, desenvolvimento profissional e a possibilidade de ocupar diferentes posições em uma indústria que continua se transformando.

Nesse cenário, comunidades como o Mulheres no e-Sports e a Lótus HUB exercem um papel que vai além do networking. Ao aproximar pessoas, compartilhar experiências e fazer oportunidades circularem, elas ajudam a tornar trajetórias mais visíveis e a criar caminhos para quem ainda busca seu espaço.

Essa construção também ganha força quando acontece de forma coletiva. A colaboração entre diferentes redes permite que conhecimentos, contatos e oportunidades alcancem públicos mais amplos, criando uma estrutura que beneficia tanto quem está chegando quanto quem já atua no setor.

O debate, portanto, não está apenas em quantas mulheres estão presentes nos games, mas nos espaços que conseguem ocupar, nas condições que encontram para permanecer e na possibilidade de crescer dentro deles. Ampliar essas conexões é também ampliar as possibilidades de atuação.

No fim, comunidades diferentes não precisam disputar o mesmo espaço para contribuir com uma transformação comum. Quando conseguem somar experiências e criar pontes, fortalecem umas às outras e, consequentemente, todo o ecossistema de games.

No fim, comunidades diferentes não precisam disputar o mesmo espaço para contribuir com uma transformação comum. Quando conseguem somar experiências e criar pontes, fortalecem umas às outras e, consequentemente, todo o ecossistema de games.

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