A indústria de games é gigante, barulhenta, criativa e, sejamos sinceros, ainda precisa abrir muito mais espaço para novas vozes. É nesse cenário que a Women Game Jam 2026 chega à sua 10ª edição, reafirmando seu papel como uma das iniciativas mais importantes para incentivar mulheres cis, mulheres trans e pessoas não-binárias no desenvolvimento de jogos.
O evento acontece entre os dias 16 e 18 de outubro, em formato online, reunindo participantes de diferentes países para uma maratona de criação de jogos digitais ou analógicos. Mas aqui o clima não é de arena final de boss, com todo mundo brigando por ranking. A proposta da WGJ é outra: colaboração, aprendizado, acolhimento e construção de portfólio.
E isso muda tudo.
Muito além de uma game jam
Para quem ainda não conhece, uma game jam é uma maratona em que participantes se reúnem para criar um jogo dentro de um período limitado de tempo. Normalmente, o tema é revelado no início do evento e, a partir daí, as equipes precisam desenvolver uma ideia, criar mecânicas, narrativa, arte, som e entregar um projeto jogável.
Parece intenso? É. Mas a Women Game Jam transforma essa intensidade em algo mais saudável e acessível.
Em vez de focar apenas em competição, pódio ou “quem fez o melhor jogo”, a WGJ aposta em um ambiente em que pessoas de diferentes níveis de experiência possam aprender, errar, experimentar e criar sem aquela pressão digna de fase impossível no modo hard.
A ideia é simples e poderosa: mostrar que existe espaço para mais gente criando jogos.
Um espaço seguro para criar, aprender e pertencer
Desde sua criação, a Women Game Jam tem como objetivo diminuir a lacuna de gênero na indústria de games e oferecer um ambiente seguro para grupos historicamente sub-representados no setor.
A edição de 2026 mantém esse propósito ao abrir espaço para mulheres cis, mulheres trans e pessoas não-binárias, com ou sem experiência prévia em desenvolvimento de jogos. Ou seja: não precisa ser programadora sênior, artista veterana ou designer com inventário cheio de projetos publicados.
Quem sabe escrever, desenhar, criar histórias, pensar mecânicas, organizar ideias, trabalhar com som, testar jogos ou simplesmente tem vontade de aprender, pode encontrar um lugar dentro de uma equipe.
É quase como montar uma party de RPG: cada pessoa entra com uma habilidade diferente, e o jogo nasce justamente da combinação entre elas.
10 edições de impacto na cena game dev
Chegar à 10ª edição não é pouca coisa. A Women Game Jam se consolidou como uma maratona global com foco em diversidade, inclusão e fortalecimento de talentos dentro da indústria de jogos.
Ao longo dos anos, o evento ajudou muitas participantes a darem seus primeiros passos no desenvolvimento de games, criarem portfólio, conhecerem outras profissionais e se conectarem com oportunidades reais no mercado.
Mais do que entregar jogos ao final de um fim de semana, a WGJ cria pontes. E, em uma indústria onde networking, experiência prática e visibilidade fazem tanta diferença, essas pontes podem ser o começo de uma carreira.
É aquele momento em que o tutorial acaba e a pessoa percebe: “pera, eu consigo fazer isso de verdade”.
Esquenta, mentorias e troca de conhecimento
A Women Game Jam 2026 também contará com atividades preparatórias na semana anterior ao evento, conhecidas como “Esquenta”. A proposta é oferecer palestras, workshops e conteúdos voltados para temas importantes do desenvolvimento de jogos.
Entre os assuntos previstos estão desenvolvimento sem conhecimento em programação, acessibilidade, arte, narrativa, psicologia aplicada aos games e orientações sobre como participar de uma game jam.
Esse suporte é essencial porque ajuda a quebrar uma das maiores barreiras para quem está começando: o medo de não saber o suficiente.
E aqui vai a verdade que muita gente precisa ouvir: ninguém começa com build finalizada, HUD polida e chefão balanceado. Todo mundo começa testando, aprendendo, quebrando coisa e tentando de novo.
Por que a Women Game Jam importa?
Porque diversidade nos games não é apenas uma pauta bonita para colocar em slide de apresentação. É uma necessidade criativa, cultural e econômica.
Quando mais pessoas diferentes participam da criação de jogos, mais histórias aparecem. Mais personagens ganham camadas. Mais mecânicas surgem. Mais experiências chegam aos jogadores.
A indústria só tem a ganhar quando deixa de parecer um lobby fechado e passa a funcionar como um mundo aberto de verdade.
A Women Game Jam entende isso e cria um espaço onde novas desenvolvedoras e pessoas criadoras podem experimentar sem precisar provar, logo de cara, que pertencem ao setor. Elas pertencem. O evento existe justamente para reforçar isso.
Quem pode participar?
A Women Game Jam é voltada para mulheres cis, mulheres trans e pessoas não-binárias, com ou sem experiência em desenvolvimento de jogos.
Durante o evento, as participantes serão desafiadas a criar um jogo a partir de um tema revelado no primeiro dia. Os projetos podem ser digitais ou analógicos, e o foco está na colaboração, na troca de ideias e no aprendizado durante o processo.
Então, se você sempre teve vontade de criar um jogo, mas achava que precisava dominar tudo antes de começar, talvez esse seja o empurrão que faltava.
Spoiler: ninguém precisa entrar sabendo tudo. Até protagonista de anime começa apanhando no episódio um.
Serviço – Women Game Jam 2026
O quê: Women Game Jam 2026
Quando: 16 a 18 de outubro de 2026
Formato: Online, via Discord
Quem pode participar: Mulheres cis, mulheres trans e pessoas não-binárias, com ou sem experiência em desenvolvimento de jogos
Inscrições: abertas até 8 de outubro
Onde acompanhar: canais oficiais da Women Game Jam Brasil, incluindo
Instagram – @wgjbr
site – womengamejam.org
A Women Game Jam 2026 chega para lembrar que desenvolver jogos também é sobre comunidade, coragem e colaboração. E, em uma indústria que ainda precisa evoluir muito, iniciativas como essa funcionam como aquele item raro que muda o rumo da partida.
Porque quando mais pessoas podem criar, todo mundo joga melhor.





