A Gamescom latam 2026 está daquele jeito que todo fã de jogos indie gosta: cheia de surpresas, filas curiosas, controles disputados e aquele clima de “só vou testar rapidinho” que termina 40 minutos depois com você encarando a tela como se tivesse acabado de assistir a um episódio perdido de Além da Imaginação.
Entre os destaques do evento, o estande da CRITICAL REFLEX chamou bastante atenção. Localizado nos espaços 4101 e 4103, o espaço conta com 20 estações de jogo disponíveis para o público e uma seleção generosa de 14 títulos, incluindo nomes já conhecidos internacionalmente e produções brasileiras que merecem entrar no radar de qualquer pessoa que goste de experiências diferentes.
E, sim, eu fui direto nos jogos de terror. Porque aparentemente meu cérebro olhou para a Gamescom latam e pensou: “sabe o que seria divertido? Desconforto psicológico em alta definição”.
Mouthwashing: terror psicológico no espaço e desconforto servido em copo cheio

Um dos grandes destaques do estande é Mouthwashing, jogo de terror psicológico com temática sci-fi desenvolvido pela Wrong Organ e publicado pela CRITICAL REFLEX. O título foi lançado em 26 de setembro de 2024 para PC e rapidamente ganhou atenção pela narrativa, atmosfera e estilo visual marcante.
Logo de cara, Mouthwashing chama atenção pelo visual. O jogo tem uma estética que lembra algo feito à mão, com uma textura quase artesanal, mas usada de forma extremamente desconfortável. Não é aquele terror de susto barato que pula na tela igual anúncio de curso duvidoso no YouTube. Aqui, o medo trabalha em silêncio, como um Sith manipulando a sala sem precisar levantar da cadeira.
A história também prende muito. Você sente que está sempre tentando entender o que aconteceu, quem sabe mais do que está dizendo e o que vem a seguir. É aquele tipo de jogo que não te entrega tudo de bandeja. Ele joga migalhas narrativas no chão e você segue, mesmo sabendo que provavelmente não deveria estar entrando naquele corredor.
A experiência é imersiva justamente porque mistura curiosidade, tensão e estranhamento. Mouthwashing não quer apenas assustar. Ele quer te deixar desconfortável. E consegue.
O estande da CRITICAL REFLEX é praticamente um parque de diversões para quem gosta de indie estranho.
Além de Mouthwashing, a CRITICAL REFLEX trouxe uma seleção bem interessante para a Gamescom latam 2026. O estande apresenta 14 jogos, com 20 estações disponíveis para o público testar os títulos durante o evento.
Entre os jogos apresentados estão Buckshot Roulette, Mouthwashing, NINAH, Altered Alma, Inkblood, Drowned Lake e Ironhive. O mais legal é ver que, no meio dessa seleção internacional, também existem destaques brasileiros ganhando espaço, como Drowned Lake, da Monumental Collab, e Ironhive, da Wondernaut Studio.
É aquele tipo de estande que parece pequeno no mapa, mas vira uma side quest obrigatória quando você chega perto. Você começa com “vou só dar uma olhada” e termina pensando em adicionar metade da lista à wishlist.
Inkblood: investigação, mistério e uma carruagem com energia de pesadelo elegante

Outro jogo que me pegou muito foi Inkblood. E aqui a proposta muda bastante em relação a Mouthwashing, mas continua dentro daquele território gostoso do “isso aqui é bonito, mas claramente tem algo errado”.
Inkblood é um jogo de investigação e mistério desenvolvido pela Hey Bird! e publicado pela CRITICAL REFLEX. Na página oficial da Steam, o game coloca o jogador no papel de um Inquisidor seguindo uma trilha de mortes, enquanto um culto atua nas sombras e a região parece estar à beira do caos. O lançamento está previsto para 2026.
A sensação ao jogar é de estar em uma aventura detetivesca macabra. Você investiga cenas de crime, observa detalhes e usa uma espécie de lente mágica capaz de revelar acontecimentos do passado. A mecânica é simples de entender, mas muito interessante: para resolver os mistérios, você precisa comparar o que aconteceu antes com o que está diante de você no presente.
É quase como se Sherlock Holmes tivesse pegado carona em uma carruagem amaldiçoada depois de maratonar Sandman e Coraline.
O jogo também brinca com perspectiva. Durante a investigação, você pode observar a cena movendo a visão para os lados, para cima e para baixo, explorando o ambiente pela janela da carruagem. Essa ideia de investigar o espaço como se você estivesse manipulando um pequeno diorama sombrio funciona muito bem e dá ao jogo uma identidade própria.
O mais curioso é que Inkblood consegue misturar elementos “cozy” com terror. Sim, parece contraditório, mas funciona. É aconchegante como uma xícara de chá quente, só que o chá provavelmente foi servido por alguém que sabe demais sobre desaparecimentos misteriosos.
Atualmente, o jogo está com playtest disponível na Steam mediante solicitação. Para quem gosta de investigação, ocultismo leve, mistério e jogos com estilo visual forte, vale colocar no radar.
Primeiras impressões: terror indie continua sendo onde as ideias mais ousadas respiram
O que mais chamou atenção nessa passagem pelo estande da CRITICAL REFLEX foi a variedade. Mouthwashing aposta no terror psicológico sci-fi, com narrativa densa e atmosfera opressora. Inkblood segue por outro caminho, mais investigativo, misterioso e estilizado, mas ainda com aquela sensação de que algo muito errado está acontecendo fora do nosso campo de visão.
E essa é justamente a força do terror indie: ele não precisa competir com os grandes blockbusters no grito. Ele vence no desconforto, na ideia boa, na direção artística e na coragem de ser estranho.
Na Gamescom latam 2026, a CRITICAL REFLEX mostrou que entende bem esse território. O estande não é apenas uma vitrine de jogos. É quase uma antologia jogável de experiências esquisitas, criativas e cheias de personalidade.
Para quem passar pelo evento, a dica é simples: vá aos espaços 4101 e 4103, teste Mouthwashing, experimente Inkblood e dê uma chance aos outros títulos disponíveis.
Só não garanto que você saia de lá com a sanidade intacta. Mas, convenhamos, fã de terror indie já entra nesse tipo de jogo sabendo que o HP mental vai cair um pouquinho.





