Entrevistamos André Leandro, CEO da Gamescola e presidente da ACJogos do Paraná, na Gamescom Latam 2026. Conheça a nova sede, o Vestibulinho Social e os projetos da maior escola criativa do Brasil.
Nem todo herói usa capa. Alguns usam controle e constroem escolas.
O DecorаGames esteve na Gamescom Latam 2026 e encontrou André Leandro, CEO da Gamescola e presidente da Associação de Criadores de Jogos do Paraná, a ACJogos. A conversa que se seguiu foi sobre muito mais do que games: foi sobre o poder da educação, sobre o que acontece quando alguém que estudou a vida toda em escola pública decide construir uma estrutura para que outras pessoas tenham as mesmas oportunidades que ele precisou buscar com esforço.
Quem é André Leandro
André Leandro cresceu em Guarulhos, São Paulo, e cursou toda a sua trajetória escolar na rede pública. Essa origem não é detalhe biográfico: é o ponto de partida de tudo que a Gamescola se tornou. Quando fundou a escola em 2016, em Curitiba, o objetivo central era criar algo que ele próprio não encontrou enquanto crescia, um espaço que combinasse a paixão genuína por videogames com formação técnica real para o mercado de trabalho.
Hoje, além de comandar a Gamescola, André preside a ACJogos, a Associação de Criadores de Jogos do Paraná, cargo que posiciona a escola como referência não apenas no ensino mas também na articulação do ecossistema de desenvolvimento de jogos no estado.
A nova sede e os novos projetos
Na entrevista concedida ao DecorаGames durante a Gamescom Latam, André falou sobre a nova sede da Gamescola em Curitiba, inaugurada recentemente com um espaço projetado com propósito e identidade própria. O ambiente foi pensado para que o aluno não apenas aprenda, mas se sinta parte de uma comunidade: com fliperama disponível nos intervalos, infraestrutura moderna e aquela energia característica de lugares onde a paixão pelo que se faz é visível nas paredes.
A escola opera com cursos 100% práticos em áreas como desenvolvimento de jogos para computador, videogame e celular, ilustração digital, modelagem 3D, programação, robótica, produção audiovisual para internet, trilha sonora digital e inglês. O modelo pedagógico usa os games como linguagem para ensinar conceitos que vão de matemática e física até português e inglês, tornando o aprendizado mais natural para jovens que já cresceram conectados ao universo digital.
O Vestibulinho Social: quando o jogo abre portas reais
O projeto mais significativo da Gamescola do ponto de vista de impacto social é o Vestibulinho Social. O programa funciona da seguinte forma: a equipe da escola visita colégios da rede pública do Paraná e aplica uma prova para os alunos. Os aprovados recebem bolsas de estudo que chegam a 100% de desconto, cobrindo não apenas a mensalidade mas também o material didático completo, incluindo os livros do curso.
Desde o início do programa, mais de 2.000 bolsas foram distribuídas para estudantes de escolas públicas. O número representa 2.000 jovens que tiveram acesso a formação tecnológica e criativa que o sistema regular não oferece, de forma gratuita, dentro de uma escola que tem jogos publicados na Steam e no Google Play entre seus projetos reais.
O detalhe que mostra a seriedade do programa: alunos que tiram nota máxima na prova do Vestibulinho recebem isenção total, sem taxa de matrícula e sem custo de material. A Gamescola cobre tudo.
A Gamescola no mercado de games brasileiro
A escola não é apenas um espaço de ensino: é também uma produtora. Startups fundadas por alunos e instrutores da Gamescola já lançaram jogos disponíveis comercialmente, tornando a escola a única instituição de cursos livres no Brasil com jogos publicados no catálogo. Em 2016, no primeiro ano de operação, a Gamescola venceu a Brasil Game Jam Cup, organizada pela Brasil Game Show, competição aberta a desenvolvedores de todo o país.
A presença na Gamescom Latam 2026 reforça esse posicionamento: a escola não apenas forma alunos para o mercado, mas participa ativamente dos principais eventos da indústria, conectando sua comunidade com o ecossistema nacional e internacional de games.
Por que isso importa
O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de jogos digitais do mundo. Apesar disso, o país historicamente produziu muito menos do que consome, em parte pela falta de formação técnica acessível na área. O que a Gamescola faz, especialmente através do Vestibulinho Social, é atacar esse desequilíbrio pelo lado que mais importa: a base. Jovens de escola pública com bolsa de 100%, aprendendo a criar jogos, com acesso a equipamentos profissionais e professores que trabalham na indústria.
É um modelo simples na teoria e difícil na prática. E André Leandro está construindo isso desde 2016.






